Biografia


Sonia Pieroni Trindade
, também conhecida como Soninha.

Bacharel em Sistema de Informação, com 33 anos na área de informática, formada em magistério, lecionei para crianças e adultos, desde alfabetização, informática e artesanato. No longo dessa caminhada e alguns infortúnios, desenvolvi depressão, síndrome do pânico e ansiedade, mudando minha vida, minha relação com o mundo exterior.

Assim nasce minha Arte & Terapia o qual chamei de Cantinho da Soninha...

Depressão/Pânico X Artesanato


Quando ficamos doentes, seja qual for a patologia que nos aflige, nosso primeiro pensamento é de que somos inúteis, que não temos mais serventia e que só atrapalhamos e causamos ônus a família, pois geralmente fazemos tratamentos longos e tomamos remédios de alto custo que nem sempre são fornecidos pelo governo. Quem nunca se sentiu assim?

Muitas vezes no auge da depressão tive vontade de jogar a toalha e tirar a própria vida, o que não fiz graças a uma pessoa muito querida aparecer naquele exato momento e me convencer do contrário. Essa sensação de fracasso, onde seu cérebro se recusa a reagir e um simples ato de levantar-se da cama, tomar banho exige um esforço enorme. Nos encontramos num abismo, onde a depressão, as crises de ansiedade e pânico se tornam cada vez mais frequente e o isolamento é inevitável, visto que poucos entendem o que ocorre com você e por que se recusa a interagir, e frequentar lugares com muitas pessoas.

Ter depressão, pânico e crises de ansiedade não é frescura, falta de fé ou preguiça como muitos acham, nem tão pouco resolve com palpites de quem não é médico e nada entende do assunto. O que precisamos é de pessoas presentes, que doem minutos que seja do seu precioso tempo, para sentar do seu lado sem dizer nada, dividir seu silencio do nosso lado, pessoas que respeitem sua dor, seu estado, sem querer apresentar curas milagrosas ou depreciações do seu estado. Temos dias em que de manhã estamos bem, a tarde só queremos dormir e a noite chorar por não ter conseguido fazer nada.

Os medicamentos ao mesmo tempo que te acalmam, te engordam e destroem sua autoestima que desaba ladeira abaixo, agora gorda e com pouco cabelos, pois o tratamento e seu estado psicológico leva a perdas de tufos de cabelos todos os dias, e o espelho vira nosso maior inimigo.

Não conseguir exercer sua profissão a qual nos formamos e amamos por não conseguir sair de casa é terrível. No meu caso existe dois mundos, um dentro de casa cercada por 7 (sete) câmeras e outra quando sou obrigada a colocar os pés para fora de casa, onde mesmo com meu marido dirigindo passo mal na ida, na volta e nos 4 dias após esse trágico contato com o mundo exterior.
Criar sua bolha e viver nela, tem sido minha única opção na tentativa de não desistir deste mundo, onde gatilhos me rementem a um cenário de guerra que só quem conhece minha trajetória é capaz de entender.

Na tentativa de transformar meu pequeno mundo em algo que me traga esperança de dias melhores, que me motive, e não deixe meu cérebro morrer, pois ele morre a cada dia que não consigo lembrar de algo que gostava, um nome de parente ou amigo próximo, voltei a fazer artesanato.

Sempre fiz e dei aulas de artesanato, mas nesse momento essa arte ressurge como terapia. Mesmo sem ter como investir e não tendo um cantinho para chamar de meu, usei a mesa da cozinha onde chamei de cantinho da Soninha e comecei a fazer bonecas de pano e alguns artesanatos paralelos.

A confecção de brinquedos lúdicos e decorativos, me remetem a infância, um tempo em que meu mundo era legal e feliz, e esse sentimento me traz paz, mesmo tendo dias que ainda em crise não consigo fazer meu cérebro reagir e num estado catatônico passo horas tentando levantar. Quando ocorre algo, esse estado piora e entre náuseas, tontura, muita dor de cabeça e quedas volto à estaca zero.

O artesanato, o mundo encantado das bonecas e sua confecção, traz de volta a sensação de que eu consigo ser útil, pensar, criar, produzir alegria e gerar um complemento de renda.

Acredito que muitas pessoas portadoras de síndromes, se identificaram comigo. Eu creio que dom de criar bonecas do zero com técnicas diferenciadas é um dom divino e que Deus nos mostra a cada término de um projeto novo, que ele não desistiu de nós.

Na busca por qualidade de vida, um tratamento, um hobby lucrativo que preencha aquele espaço causado por patologias que tanto nos incapacita, algo que traga de volta sua alta estima, seja prazeroso e ao mesmo tempo gere renda extra, confecção de bonecas tem sido minha inspiração de vida, um modo de dizer eu ainda estou viva. 

Por Motivos da piora do meu estado clinico desde novembro de 2023, deixei de fazer as bonecas que tanto amo.

Eis alguns dos meus desafios diários!

Ter crises que te tiram os movimentos, dores pelo corpo todo, tontura e vômitos por causa dos medicamentos, pois além de todos os problemas com a depressão, panico e as crises, sou diabética tipo 2 e vira e mexe tenho complicações com feridas e acetose além das complicações da pressão alta que amortece todo meu rosto.

Não consigo sair de casa sozinha, pois tenho crises de pânico e sou sensível a barulho e para amenizar os impactos dos sintomas faço uso de medicamentos controlados muito fortes que além de atacar o estomago, me deixam sonolenta e com vertigens. Sai de carro com meu marido dirigindo, só medicada, pois passo mal e tenho panico e atrapalho o motorista pois minha visão de espaço é diferente da dele. E para andar também não tenho noção de espaço se o piso não for liso eu caio, assim tenho que andar escorada a outra pessoa.

Tomar banho é um desafio que enfrento quando estou em crise e não consigo levantar da cama, Não imagina a alegria quando consigo ir tomar banho e usar um creme cheiroso que me traz de volta ao mundo real.

Ter o que coisas que eu possa comer, é outro desafio, pois tudo para diabetes é 100% mais caro. (enfim sou um peso para família que mal consegue comprar tudo que preciso.

Esquecer das coisas fazem parte da minha rotina, perco tudo, esqueço nomes de pessoas próximas, esqueço lugares que sempre fui, entre outros, e acreditem, isso realmente me assusta.

Prefiro ficar no meu quarto meu esconderijo secreto, onde me escondo de tudo que me faz mal, principalmente o barulho, aqui todo fechado com proteção nas janelas portas virou meu quarto de pânico onde medicada consigo ter um pouco de PAZ e tranquilidade longe dos dito seres humanos.

Hoje além do desafio de conviver com a patologia, que dia a dia me rouba a vontade de viver, ainda sofro discriminação, pois vivemos numa sociedade onde quem faz tratamento, psicológico com psiquiatra e psicólogos é chamado de louco. Se assumir que tenho problemas, ter sensibilidade a SOM ALTO (onde tenho crises que me tiram o ar, provocam desmaios, aceleram o coração, diminuem minha oxigenação) e reconhecer a necessidade de tomar medicamentos e ter acompanhamento com psiquiatra e terapeuta é ser louco. Então meus caros, sou louca e não quero fazer parte desse mundo de pessoas ditas NORMAIS que tudo fazem para nos excluir do convívio em sociedade. 

Enfim, Em resumo, usar termos pejorativos relacionados a transtornos mentais, como "louco", é inadequado, estigmatizante e pode ter consequências legais graves, tanto criminais quanto cíveis.

Tenho uma doença mental crônico-degenerativa mas não sou louca... Meu cérebro se perde a cada dia agravado pelos surtos, causados por pessoas sem noção... 

"Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em que não há mudança, nem sombra de variação." Tiago 1:17